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sábado, 24 de julho de 2010

Haikai [4]



Cheiro de uva
Invade a varanda
Parreira-bonsai.

...

Tão delicados
Cachos cor púrpura que
Vibram ao sol.

...

Formigas levam
Uvas para o jantar
Caem as folhas.

...

Restaram galhos
Chegara o inverno
Para meu bonsai.

Haikai [3]



A flor furta-cor
embriaga o colibri
com néctar azul.



Haikai [2]


Céu enevoado
rouxinol aedo
chama a lua.



Haikai [1]




Asas límpidas
oscilam o leve vôo
da libélula.



Estagnado



De tanto ser cauteloso conquistei minha estabilidade... Não ganhei  nada, não perdi, não fui amado nem odiado, não fui triste nem feliz.

O besouro e a borboleta


Entre as flores
Estava o besouro
Não era gracioso como a joaninha
Nem emitia luz como o vaga-lume
Não voava, era quase larva
Porém, sorria
Não compreendi o motivo de tanta alegria
Enquanto a borboleta repousava em sua crisálida
Lá estava ele, a cuidar daquele ser que logo
Expandiria suas asas
Não a invejava, não era triste
Admirava apenas a beleza
Que nunca vira
Coberta por um frágil casulo
Em uma manhã quente
“Zumm!” - Dizia o besouro
Para o predador que pensasse em levá-la
Percebi então a grandeza daquele ser
Que amava e cuidava sem pedir nada.

Covardia, vulgo indecisão

Todo homem sabe o que quer, porém, é indeciso, pois teme as consequências de suas escolhas.

Dégradé da vida



Vida, dégradé de cinza
Ilusão branca
Realidade negra
Riso e pranto.

Degustadora de vinho



Meu corpo, vinho tinto. Armazenado na adega terrestre, resiste à maturação para não ser degustado pela morte.

Expressionismo abstrato



Energia, areia viva

Desce pela ampulheta

Como criança em escorregador

As linhas na face e no calcanhar

São desenhos abstratos do tempo

Só nos resta contemplar.